Nas mãos de Ian Berry, jeans descartado vira obra de arte – Eze
EZE - Nas mãos de Ian Berry, jeans descartado vira obra de arte: retrato de Ayrton Senna

À primeira vista, você pode pensar que os trabalhos de Ian Berry são fotografias em tons de azul ou telas pintadas com tinta na cor índigo. Pela tela do computador, ou mesmo nas peças impressas, a profundidade e a sutileza das obras ficam comprometidas, mas, uma vez perto delas, é possível entender a complexidade de suas criações.

Aquele azul todo, na verdade, é o resultado de um trabalho sustentável notável: a arte de Berry é feita com jeans descartados da indústria. Mas não é só a escolha do material usado para compor as obras que as torna especiais: também o significado cultural intrínseco ao tecido, com todas as suas dualidades, tornando este um item do guarda-roupas capaz de unir todas as esferas sociais ao redor do mundo.

 

olhando as peças de perto, fica mais fácil compreender a técnica do artista e toda sua sensibilidade ao escolher cirurgicamente os retalhos do jeans

Com tonalidades e lavagens infinitas, é dada origem a uma matiz bela e harmônica. “Tudo que você vê no meu trabalho é denim, nada além. Não há tinta, nem alvejante”, contou o artista ao site My Modern Met.

Ian retrata melancólicas cenas urbanas, aquelas não muito valorizadas pelos outros artistas e fotógrafos por serem, muitas vezes, menos glamorosas e alegres. O jeans é um tecido da cidade e, segundo o próprio artista, não haveria melhor forma de representar a vida moderna.

 

Nas mãos de Ian Berry, jeans descartado vira obra de arte: obra "Record store"

Jeans é pop

É difícil imaginar que toda esta história começou por um acaso, enquanto o Berry olhava uma pilha de peças jeans, reparando nos seus contrastes e nas nuances daqueles muito mais do que 50 tons de azul. A partir daí, usando somente tesouras e cola, não demorou muito para seu trabalho ganhar evidência.

Tudo que você vê no meu trabalho é denim, nada além. Não há tinta, nem alvejante

Logo foi elevado ao patamar de novo talento das artes plásticas. Com toda essa pompa, sua conexão com o jeans aumentou e, cada vez mais, ele se sentia confortável com o processo, pois estava empregando status de obra de arte a produtos que estavam no seu ciclo final de vida.

 

 

Analisando as diversas fases do artista, é possível ver como o processo poético e ecológico de Berry torno-se uma profunda forma de expressão artística, atraindo quórum mundial. Não demorou para que convites célebres para portraits surgissem.

Quer saber quem já foi retratado pelo patchwork hiperrealista de Ian Berry? Gente como Debbie Harry, Giorgio Armani e a übermodel Gisele Bündchen, só para citar alguns.

 

Nas mãos de Ian Berry, jeans descartado vira obra de arte: Ayrton Senna e Gisele Bünchen

no entanto, seu trabalho mais conhecido no Brasil é uma homenagem ai ídolo Ayrton Senna, no qual peças de jeans cedidas pela própria família do piloto foram usadas na criação

Além de impactante, a arte teve cunho social: a renda gerada com a venda do rosto do piloto de Fórmula I, morto em 1994, foi revertida para o Instituto Ayrton Senna, que anualmente capacita 60 mil educadores e programas beneficiam diretamente cerca de 2 milhões de alunos em mais de 1,3 mil municípios em diversas regiões do Brasil.

 

Nas mãos de Ian Berry, jeans descartado vira obra de arte: o artista britânico e Debbie Harry

 

Ian Berry esteve no Brasil para entregar o prêmio e os brasileiros, digitais como são, inundaram seu Instagram com mensagens positivas (se você ainda não conhece o perfil dele, clique aqui). Na ocasião, ele revelou que a inspiração do patchwork, técnica primordial do seu trabalho figurativo, tem inspiração direta de sua mãe, que é costureira.

O trabalho do artista britânico segue repercutindo pelo mundo, em exposições que deixam o mercado sustentável cheio de orgulho. Vamos torcer para que elas cheguem logo por aqui! 🌎👩🏻‍💻💚

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